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quarta-feira, 10 de abril de 2013

O que um bom técnico de informática (ou todas as pessoas) precisa(m) saber sobre Eletricidade



Parte V – Falando de potências – Especificando o no break

E agora, finalmente a especificação do no break.

Finalizaremos hoje esta série de artigos sobre eletricidade voltada, principalmente, para os técnicos de informática. Nela apresentaremos esclarecimentos importantes sobre a especificação da potência dos no breaks  o que, quase sempre, é realizado sem nenhuma base técnica.

Quando compramos um no break  para uso doméstico ou de um pequeno escritório a coisa não chega ser muito crítica e, mal ou bem, funciona de qualquer maneira. Entretanto, se vamos trabalhar em ambientes com muitos PCs o assunto precisa e deve ser tratado de forma profissional.


A preocupação deve começar, na verdade, pela especificação da fonte de alimentação e sobre ela já tratamos no post anterior, mas não custa relembrar e aprofundar um pouco mais o assunto.

Uma pergunta que todos deveriam se fazer é por que a fonte se especifica a fonte em watt e o no break ou estabilizador (que quase sempre não serve para nada) em VA (volt-ampère)?

Você já parou para pensar nisso?  

Acho que podemos responder por você: - claro que não.

Normalmente o “técnico” vai à loja e pede ajuda ao vendedor.

E a resposta será: - esse aqui serve, é muito bom!
Vamos então entender a diferença de se especificar a fonte em watt e o no break em VA:

1)    A fonte fornece tensão contínua para a placa do PC e seus acessórios e, lembre-se, quando trabalhamos com tensão continua só precisamos pensar em watt;


2)   Já o no break ou estabilizador irá alimentar com tensão alternada a fonte do PC e o monitor (não devemos ligar impressoras, principalmente, laser, no break ou estabilizador; aliás, repetimos: esqueça o estabilizador);


3)   Por outro lado a fonte do PC e o monitor são cargas reativas e aí, juntando tensão alternada com cargas reativas temos que pensar na potência aparente que é medida em VA (volt-ampère).

Muito bem, agora que você já aprendeu qual é a diferença entre uma formiga e um elefante, vamos pensar na especificação, ou melhor, como calcular qual a potência aparente que deverá ter nosso no-break.

Se uma fonte tem um fator de potência baixo, por exemplo, igual a 0,6 e supostamente é de 300 W você não pode usar um no break (ou estabilizador) de 300 VA.

Basta fazer uma continha rápida e fácil. Vamos lá. Lembrando que 
 
FATOR DE POTÊNCIA = POTÊNCIA REAL / POTÊNCIA APARENTE

Logo, POTÊNCIA APARENTE = POTÊNCIA REAL/FATOR DE POTÊNCIA que no nosso exemplo dará:
 
POTÊNCIA APARENTE = 300 W/ 0,6 = 500 VA = 0,5 kVA

Portanto, somente para suportar a fonte do PC o no break já deveria ser de 0,5 kVA, mas como ainda tem o monitor coloque, pelo menos, mais 20% e seu no break deverá ser 0,6 kVA. Mas ainda na para por aí. Continue lendo.
 
Agora vamos ver a confusão entre fator de potência e eficiência.

Define-se como eficiência ou rendimento de qualquer sistema a relação entre o que é entregue para realizar um trabalho e o que é obtido como resultado do trabalho.

A eficiência ou rendimento ideal é, obviamente, igual a 100%, mas na prática existem perdas dentro do sistema o que faz com que o rendimento seja sempre abaixo de 100%.

No caso das fontes de alimentação uma fonte de 400 W (honestos) com eficiência de 100% (que não existe) deveria consumir da rede elétrica estes mesmos 400 W.  

Entretanto, se ela tem uma eficiência de 80% (o que já é muito bom) ela vai consumir 500 W da rede elétrica.

E para onde vão os 100 W da diferença entre 500 e 400?

Eles são transformados em calor e além de deixar sua casa ou escritório mais quentinhos a concessionária de energia elétrica agradece pelos KWh a mais que ela lhe cobrará no final do mês.

Você não entendeu como chegamos aos 500 W no exemplo acima?

Muito simples: - basta dividir os “watts” da fonte pela sua eficiência. No nosso exemplo temos 400 divididos por 0,8 (80%) e chegamos aos 500 W.

Somente os fabricantes de fontes com PFC ativo informam o fator de potência de suas fontes que por sua vez também costumar apresentar eficiências superiores a 80%.

Nas fontes genéricas fica difícil saber o que é verdade e o que é mentira.

Acreditar no que está escrito nos rótulos das fontes é como acreditar em promessa de político.

Uma coisa é certa, a fonte é o item mais importante de um computador.

De nada adianta processadores de última geração, placas de vídeo bombadas e depois ligar tudo isso numa fonte Tabajara e para completar a desgraça usar um no break mal dimensionado. Você estará dando chance para o azar.

Encerramos por aqui esta série de artigos.

Sempre defendemos a idéia que os cursos de montagem e manutenção de micros deveriam incorporar algumas horas para uma introdução a eletricidade e eletrônica. 

Infelizmente, na prática não é o que se vê, em geral.
E, certamente, é por isso que temos tantos PCs por ai “dando pau” a toda hora.

Muito mais temos a dizer sobre esse tema, mas isso vai ficar para o livro, num futuro próximo.

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Até sempre.

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